História do Clube
Por: John Anderson

 

Se joga Rugby no Rio de Janeiro desde pelo menos os anos entre as duas Grandes Guerras Mundias. O jogo era praticado originalmente por britânicos e irlandeses, e cidadões dos países da Comunidade Britânica, a maioria homens de negócios da cidade do Rio de Janeiro ou de Niterói.

 

O único clube onde o Rugby era praticado era o Rio Cricket Associação Atlética em Icaraí, Niterói. Este clube foi fundado em 1872 e funcionava como o grande centro social para muitos jovens que moravam em Niterói nas repúblicas de suas respectivas companhias.

 

Durante a Segunda Guerra Mundial, com a saída de muitos praticantes, que foram combater na Europa, o Rugby parou de ser praticado. Com o fim da guerra e o retorno dos voluntários, o Rugby recomeçou com muito entusiasmo.  A grande rivalidade do Rio Cricket era com o SPAC – São Paulo Atletic Club. O costume na época era receber o time paulistano em casa e depois, alguns meses mais tarde, viajar de trem a São Paulo e jogar contra o SPAC no seu campo, em Santo Amaro. Havia outros jogos contra navios ou esquadras da Marinha Real Britânica, que na época visitavam o Rio de Janeiro com frequência. Times universitários britânicos também passavam pelo Rio, normalmente tirando alguns dias para aclimatar-se antes de continuar viagem para a Argentina, onde o Rugby já era muito mais evoluído. O time combinado de Oxford e Cambridge sempre parava no Rio de Janeiro para jogar contra o Rio Cricket.

 

Já na década de 1960, o Rugby começou a evoluir no Brasil, especialmente em São Paulo, onde vários outros times começavam a surgir (Pasteur, Medicina, Mackenzie, São Paulo Barbarians, Brooklin Rugbi Clube - e no fim dos anos 60, início dos 70 - a Politécnica, Getúlio Vargas, Escola Técnica Federal e o Clube Japonês). Nos anos 60, já havia uma União de Rugby do Brasil (a ABR - Associação Brasileira de Rugby, fundada em 1972), que organizou a participação do Brasil no Campeonato Sul-Americano de Rugby, em 1964.

 

Vários jogadores do Rio Cricket foram selecionados para representar o Brasil em diversas ocasiões. O mais notável destes foi um anglo-brasileiro chamado Colin Allan, estudante e jogador de Cambridge, escolhido para jogar para a Escócia, mas que acabou jogando para o Brasil como abertura e excelente chutador.

 

Na primeira parte dos anos 70, o grupo de Rugby do Rio Cricket já era bastante grande, com elenco suficiente para facilmente formar dois, até três times em campo. O grupo era bem multinacional, contando com cidadãos do Chile, Argentina, Uruguai, Brasil, Inglaterra, Gales, Escócia, Irlanda, França, Estados Unidos, África do Sul, Austrália, Nova Zelândia, Zimbabwe (na época Rhodésia), Suíça e Alemanha. Entre os jogadores, havia aqueles que tinham jogado Rugby em um alto nível, representando seus respectivos países ou os clubes precursores da Primeira Divisão. Lamentavelmente, por pressões de trabalho ou viagens, não era fácil compor o Primeiro Time do Rio Cricket com todos esses jogadores ao mesmo tempo! Aliás, esse desafio sempre existiu!

 

Então, por volta de 1973/74, os sócios do Rio Cricket (nesta época, já um clube familiar) começaram a sentir a “invasão”, todo final de semana, desse grande grupo de jogadores não-sócios de Rugby. O Conselho do Clube pediu a exclusão desses não-sócios. Assim, nasceu o Rio Rugby Clube. Os não-sócios foram obrigados a formar seu próprio grupo e decidiram procurar um campo para jogar Rugby na cidade do Rio de Janeiro. Em seguida, surgiu o nome Rio Rugby Clube. Os jogadores residentes em Niterói e, muitos já sócios do Rio Cricket, continuaram jogando lá. Esse time era composto por alguns membros mais experientes, mas se caracterizava na sua maioria por jovens estudantes do curso de Educação Física da UFF (Universidade Federal Fluminense).

 

Durante alguns anos, o Rio Rugby seguiu em frente, jogando em vários locais. Mas, gradualmente, houve uma grande entrada de jogadores portugueses, vindos de Angola e Moçambique. Não era mais possível atender a todos, então os portugueses e alguns franceses formaram o terceiro clube de Rugby do Rio de Janeiro, o Guanabara Rugby Clube.

 

O maior desafio para o Rio Rugby era (e ainda é) conseguir um campo para jogar. Felizmente, David Anderson, que viria tornar-se o primeiro presidente do Clube, tinha contato com o Brigadeiro Jerônimo Bastos, da extinta CBD (Confederação Brasileira de Desportos). Nos primeiros anos, graças à influência deste senhor, o clube utilizou vários campos dentro de estabelecimentos das Forças Armadas Brasileiras. Os mais frequentes foram os campos do Exército (Praia Vermelha), dos Carros Blindados (Avenida Brasil) e da Casa do Marinheiro (Avenida Brasil). Através de outros contatos, nos anos seguintes, o clube passou a jogar na fábrica da Klabin (localizada na subida para Teresópolis), na Fazenda do Clube Marapendi (Barra da Tijuca) e na Universidade Rural (Seropédica). Cabe esclarecer que houve muito poucos jogos na fábrica da Klabin e na Fazenda Clube Marapendi. O primeiro tinha um muro de tijolos ao redor do campo, a uma distância de dois metros da lateral, o que o tornava muito perigoso, ao ponto de vários times adversários se recusarem a jogar lá! O problema da Fazenda Clube Marapendi era o solo – feito de areia compactada. Depois de um jogo ninguém tinha mais joelhos!

 

Um amigo e ex-jogador, Roberto Muller, que era Conselheiro do Jockey Clube, conseguiu um campo para o Rio Rugby no Jockey Clube, onde hoje é o restaurante Victoria Rio. Ali, jogou-se de dois a três anos, no fim dos anos 70. Já no início dos anos 80, o Rio Rugby passou a jogar na fábrica da Merck, em Jacarepaguá. O melhor campo, sem dúvida, foi o do Jockey Clube. Tinha bastante espaço e podia-se jogar Rugby aos sábados de manhã. Em todos os outros, as partidas eram realizadas aos domingos à tarde, depois que acabavam todos os jogos de futebol!

 

Em 3 de Janeiro de 1978, o Rio Rugby Clube foi oficialmente fundado por 34 sócios-fundadores. O Estatuto do Rio Rugby Clube foi aprovado pela Associação Brasileira de Rugby em 27 de Fevereiro de 1978. O Registro Civil das Pessoas Jurídicas foi finalizado em 30 de Outubro de 1978 e o Cadastro Geral de Contribuintes em 13 de Dezembro de 1978. Na Ata de Fundação do Rio Rugby Clube (de 3 de Janeiro de 1978) consta que foram eleitos os seguintes sócios como oficiais do Clube:

 

Conselho Administrativo:

 

Presidente: Arthur David Anderson

Vice-Presidente: Frederick Lionel Deakin

Diretor Administrativo: Albert Thomas Healey

Diretor Financeiro: Robert Fleming

Diretor de Esportes: George Duncan Stalker

Diretor Social: Michael Kingsley Shepheard

 

 

Conselho Deliberativo:

 

Presidente: Robert Fleming

Vice-Presidente: Philippe Pailhous

Secretário: Albert Thomas Healey

 

Conselho Fiscal:

 

John Alexander Scott McAra

Alan Cull

Antonio de Agrela

 

           

 

Na época da Ata de Fundação do Clube, já havia sido desenhado e registrado a “Identidade Corporativa” do Clube, incluindo o desenho gráfico do nome, o logotipo, as cores e o uniforme, que passaram a ser usados imediatamente.

 

No final da década de 70, o Rio Rugby Clube, com um Time A e um Time B, participava do Campeonato do Estado do Rio de Janeiro. O Time A também participou do Campeonato Brasileiro. No campeonato local (estadual), participaram também o Rio Cricket (Niterói) e o Guanabara, que entravam também com Times A e B. Todos os times jogavam contra todos os outros times (A contra B, A contra A, B contra B etc.) em um sistema de liga (pontos). Jogava-se em casa e depois contra o mesmo time na casa do adversário. O Rio Rugby chegou a ganhar este campeonato várias vezes. No Campeonato Brasileiro, o Rio Rugby jogava contra SPAC, Medicina, Mackenzie, Pasteur, Nippon, Alphaville, Niterói e Guanabara, em São Paulo ou no Rio de Janeiro. Havia também eventualmente jogos amistosos contra clubes do Chile, Argentina e Uruguai. Times universitários da Grã-Bretanha ou França visitavam o Rio, de vez em quando, e sempre a cada ano havia algum jogo contra um navio da Marinha Real.

 

Os treinamentos eram realizados uma ou duas vezes por semana. Os pontos de encontro, mais ou menos em ordem cronológica (na década de 70), eram:

 

Praia do Leme

Praia de Ipanema (em frente ao Bar Barril 1800)

Lagoa (vários pontos em frente ao Corte de Cantagalo)

Praia do Leblon

 

O Rio Rugby Clube era um clube muito social. Ao lado do Bar Barril 1800, em Ipanema, existia um outro bar chamado Castelinho. Foi um grande “ponto de encontro” dos jogadores e sócios do Clube. Mas a Matriz Social do Clube foi realmente no pub original Lord Jim, em Ipanema. Lá, os sócios e convidados se reuniam para todo tipo de encontro e festividade. Aliás, especialmente no final da década de 70 e início de 80, houve bastante atividade, até na casa de alguns amigos. O objetivo principal, além de se reunir e se divertir, era arrecadar fundos para uniformes, viagens e equipamentos e também para fazer doações às caridades prediletas do Clube.

 

Do período entre 1974 a 1982, vários jogadores sócios do Rio Rugby dedicavam algum tempo a ensinar o jogo para outros públicos brasileiros. Por exemplo, foram feitas demonstrações e apresentações sobre Rugby aos estudantes na Universidade Gama Filho, aos estudantes de Educação Física da UFRJ (Praia Vermelha) e em vários Clubes Sociais. Esse trabalho resultou na entrada de vários recrutas no Rio Rugby. A maioria ficou jogando no Clube durante vários anos e alguns jogavam muito bem!

 

Em 1982/83, com a queda no preço do petróleo e o desencadeamento de uma crise mundial, o Rio Rugby perdeu vários jogadores, em razão da saída de estrangeiros do País. Vários outros foram “pendurando as chuteiras”. Durante algum tempo, o Rio Rugby ficou um pouco desorganizado, mas gradualmente uma nova geração de jogadores estrangeiros entrou para jogar no Rio Rugby. O mais importante, vários jovens brasileiros também entraram para o Clube e, com isso, o futuro do Clube foi assegurado até o Milênio. A partir daí, surgiu um novo Rio Rugby Clube!

 

 

Histórico Mais Recente:

 

Atualmente, boa parte dos membros do clube são brasileiros. Por conta disso, a equipe tem hoje uma nova cara e personalidade. Isso confere ao clube uma filosofia bem carioca, com várias nacionalidades convivendo harmoniosamente, em um ambiente extremamente saudável como manda a mais pura tradição do RUGBY, que tem como pilares a amizade e o respeito mútuo. O RIO RUGBY teve por todo esse tempo o objetivo de manter o esporte vivo na cidade do Rio de Janeiro.

 

No ano de 1999, participou ativamente, pela primeira vez, do campeonato brasileiro, enfrentando de igual para igual todas as equipes que jogou. Destacando-se no campeonato com a 6ª posição entre treze equipes que iniciaram a competição. O que foi um excelente resultado para o primeiro campeonato disputado. Também, neste ano, o RIO RUGBY participou do tradicional TORNEIO DE INVERNO, realizado em Campos do Jordão, obtendo o 3º lugar. Outro destaque, em 1999, foi o Torneio Internacional de Veteranos, realizado em Búzios (RJ), que contou com a participação de equipes do Brasil e da Argentina, onde o RIO RUGBY obteve o 1º lugar no torneio.

 

No início dos anos 2000, com o patrocínio da Michelin, o clube modificou as cores e o escudo, chegando ao que é hoje. O azul, branco e amarelo era eternizado!

 

 

Escudo.png
Rio Rugby X Niterói (Jul/1978) – Jockey Club, Gávea – RJ.